Estágios Neurocognitivos para Boas Ideias
Estágios Neurocognitivos para Boas Ideias
Quando nos deparamos com uma obra concluída, seja ela um livro publicado, um artigo na internet, uma cafeteria bem decorada e com cafés de especialidade, não nos atentamos a como aquilo começou, como o projeto saiu do papel e virou algo real, em resumo, quando era apenas uma ideia.
O começo de um projeto não é fácil, geralmente não sabemos qual é o objetivo, qual caminho seguir, quais ferramentas utilizar e quando começar. O início é caótico, assim como a geração de ideias que precede esta etapa.
Podemos pensar, erroneamente, que ter uma boa ideia será suficiente para dar início a um bom projeto. Mas estudos explicam por que esta concepção está equivocada.
Conforme podemos analisar, ter várias ideias é mais eficiente que ter apenas uma ideia e pensar que será o suficiente. O cérebro humano funciona assim.
Para que uma ideia tome forma, ela precisa ter sido acompanhada de outras várias ideias e também de um tempo para nossa cabeça processar todas as informações e alimentá-las com coerência e estrutura.
As primeiras ideias
Neste momento precisamos ser persistentes na busca de ideias, pois nosso cérebro tende a buscar por referências com base na experiência de vida. Devemos permanecer no mesmo espaço do problema por mais tempo do que as heurísticas neurais desejam.
Desacelerar é uma ótima opção também, pois pode impulsionar a criatividade. Este processo também pode ser acrescido de uma "incubação" - A incubação dá à sua mente tempo para limpar ideias ruins que estavam começando a criar raízes.
"Desacelerar dá à originalidade espaço para emergir, mas enquanto persistência e incubação ajudam você a permanecer no jogo, elas não garantem progresso. Você ainda precisa que o problema comece a tomar forma em primeiro lugar — nem que seja para que seu cérebro saiba para onde enviar a próxima ideia." - Rachel Barr (BigThink)
Ponto de Atenção
O estudo de Reinig e Briggs (2008) analisa a relação entre quantidade e qualidade de ideias em processos de ideação e demonstra que a crença tradicional de que “mais ideias geram mais ideias boas” não se sustenta ao longo do tempo. Por meio de experimentos controlados com grupos, os autores mostram que, embora no início da ideação o aumento do número de ideias contribua para o surgimento de ideias de maior qualidade, esse efeito diminui progressivamente, resultando em retornos decrescentes. Esse fenômeno é explicado principalmente pela inércia cognitiva, que leva à repetição de padrões mentais, e pela limitação do espaço de soluções, que faz com que as melhores ideias sejam esgotadas mais cedo. Assim, o estudo conclui que quantidade não é um substituto confiável para qualidade e que processos de ideação eficazes devem focar em estratégias que renovem o pensamento e estimulem novas perspectivas, em vez de apenas incentivar a geração contínua de ideias.
Estágios Neurocognitivos
Dividindo por estágios, num primeiro estágio podemos dizer que existe o predomínio da Default Mode Network (DMN) e memória semântica. A mente processa padrões já consolidados, exemplos recentes e soluções socialmente validadas. Nada impressionante até então.
No estágio 2, temos a tensão cognitiva (o desconforto criativo), onde existe um conflito entre a Default Mode Network (DMN) e a Executive Control Network (ECN) - aqui começa a frustração e vontade de abandonar.
No estágio 3, existe a quebra de padrão. Para quem avança mesmo com o desconforto, nesta etapa existe a colaboração entre a DMN e ECN e uma redução do controle automático (do primeiro estágio).
No último estágio, o 4, existe a consolidação e julgamento. Aqui a ideia está madura. Existe uma avaliação fria entre a utilidade, clareza e aplicabilidade. Sem essa etapa, a ideia vira delírio criativo.
Fontes:
- https://bigthink.com/neuropsych/why-your-best-ideas-come-after-your-worst/
- https://psycnet.apa.org/record/1997-02113-002
- https://www.researchgate.net/publication/38144847_On_The_Relationship_Between_Idea-Quantity_and_Idea-Quality_During_Ideation
